Um olhar sobre os setores mais e menos propensos à Transformação Digital

categoria

Negócio Digital

autor

Lynda Lourenço e Faro

tags

B2B, B2C

No último artigo que escrevi para o blog falei sobre o setor do turismo e o seu desenvolvimento no digital. Esta análise inspirou-me a fazer este artigo sobre setores mais e menos propensos à transformação digital, tendo em consideração os resultados do estudo sobre transformação digital no negócio 2019.

A transformação digital trouxe uma mudança radical na maneira como as empresas dos diversos setores operam, incorporando processos digitais que garantem que estas não ficam para trás. Vejamos o setor da tecnologia onde quem decide procura (sucessivamente) o crescimento do seu negócio através da inovação de processos internos, operações e em criar condições focadas na formação digital das suas equipas.

A realidade é que a transformação digital já atingiu de forma disruptiva todos os setores! Mas será que estes estão a acompanhar e a evoluir da mesma forma? Spoiler alert: não! Nos próximos parágrafos, falo sobre os setores que obtiveram melhores e piores coeficientes de transformação digital e respetivas estratégias que permitem potenciar os resultados obtidos.

Quer saber quais os setores que estão mais e menos propensos à transformação digital em 2019? Continue a ler o artigo!

 

A indústria é o setor com pior coeficiente de transformação digital

O estudo de avaliação do nível de transformação digital traça o retrato da transformação digital e uso de tecnologia nas empresas por setores. Os setores da indústria, retalho e distribuição destacam-se como os menos desenvolvidos em termos de transformação digital.

Os setores de retalho e distribuição apresentam um coeficiente de 3.25 pts em 5, verificando-se uma evolução significativa face ao ano anterior (2.75 pts). Ainda em linha com os resultados do ano anterior verificou-se um switch de posições entre estes dois setores, devido à subida de patamar dos setores de retalho e distribuição, passando a indústria a apresentar o pior coeficiente de transformação digital (3.18 pts).

Ao longo dos tempos a indústria passou por diversas fases que foram imprescindíveis para o seu desenvolvimento, hoje provavelmente já deve saber que vivemos na 4ª revolução industrial, a tão falada indústria 4.0, onde se verifica uma combinação entre tecnologias físicas, biológicas e digitais. Apesar de a presença do digital ser imperativamente sentida, as empresas industriais, como muitas outras em diversos setores, têm dificuldade em colocar na prática uma estratégia que respeite o ADN da empresa e que esteja orientada para o digital, por outro lado, as empresas sentem constrangimentos aquando da implementação efetiva destas soluções.

A velocidade exorbitante de mudança tecnológica faz-nos desafiar ideias sobre o nosso negócio e não existe uma ciência exata sobre o que fazer, mas considero que o setor da indústria poderia beneficiar com o investimento em processos internos, apostando em:

  • Inteligência artificial (IA) e marching learning: permitem solucionar problemas e auxiliam na tomada de decisão mais complexa e segura, reduzindo assim erros, custos e aumentando a lucratividade;
  • Internet of things (IoT): a indústria é um dos setores que mais tem recorrido à IOT, uma vez que, esta tecnologia auxilia a identificar:
    • Problemas no processo produtivo de forma a que não tenha impacto na qualidade do produto final;
    • Falhas nas máquinas reduzindo custos de manutenção desnecessários;
    • Determinado lote através de sensores que conseguem saber onde está qualquer objeto em tempo real, agilizando toda a cadeia de distribuição.
  • Robôs: cada vez mais está se a extinguir o estigma que os robôs vão substituir o homem, na realidade eles são uma forma de ajudá-lo em tarefas mais perigosas e rotineiras, especialmente em setores como a indústria, já sem falar que a velocidade e destreza dos robôs permite a otimização de processos.

Importante referir que a transformação digital vai além do investimento em novas tecnologias e otimização de processos, envolve toda uma mudança no modelo mental e na cultura da empresa. Esta mudança não envolve só a introdução de ferramentas tecnológicas mas também uma alteração significativa nas formas de pensar e agir de todos os colaboradores. Não se esqueça: as pessoas são um dos pilares mais importantes da transformação digital! E como tal, o investimento também deverá recair sobre a formação das mesmas.

Assim, estando já alinhadas com este mindset, as empresas podem beneficiar de algumas iniciativas que estão a decorrer, que têm como objetivo ajudar a dotar-se de capacidade de investimento em estratégias digitais para competir num mercado global.

 

Setor tecnológico: uma evolução natural?

Sem grande surpresa o setor ligado à tecnologia obteve o melhor coeficiente de transformação digital com 3,96 pts, aproximando-se assim do patamar digital: empresas com forte vertente digital e contributo significativo no negócio. Os setores do turismo, hotelaria e restauração (3.94 pts) são os que mais se aproximam do setor rei, tal como escrevi no artigo sobre transformação digital no turismo.

Efetivamente estas áreas estão muito próximas de adquirir a maturidade necessária para se manterem relevantes no mercado atual. O tempo de resposta, o mindset criado e a coragem inata para acelerarem em direção ao futuro são as características mais fortes de setores que fazem evoluir os seus produtos, serviços e modelo de negócio através de uma rapidez brutal.

No que concerne ao setor tecnológico, sim consiste numa evolução natural! A verdade é que neste setor o tempo de resposta é o que determina o sucesso e estas empresas já têm um mindset criado e a coragem inata para acelerarem em direção ao futuro. Bom exemplo de coragem é a gigante Amazon, um híbrido entre o setor do retalho e da tecnologia, que para além de ter extinguindo ao início os seus produtos e serviços devido à quebra nas vendas dos livros físicos, está prestes a seguir os mesmos passos do passado com o lançamento da Amazon Prime – serviço de streaming de filmes e séries, provocado pela quebra atual dos seus DVDs.

A Amazon é um caso real que nos permite concluir que o processo de evolução é contínuo e que há sempre um degrau a subir mesmo já apresentando bons resultados em matéria de transformação digital, como os exemplos dos setores tecnológico, turismo e telecom e media. Resumindo, creio que existe sempre espaço para melhoria e que é necessário dar o salto em todos os setores, mesmo sabendo que existem saltos maiores que outros.

 


Também lhe poderá interessar: